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A cidade iraquiana de Mosul testemunhou neste domingo a oração do Santo Padre pelas vítimas da guerra. A cidade esteve sob domínio do Estado Islâmico por longos anos. Estima-se que cerca de meio milhão de pessoas, das quais mais de 120.000 cristãos, fugiram de Mosul, que em 2004 tinha 1.846.500 habitantes.

Via Vatican News – texto na íntegra

Após a breve acolhida no aeroporto de Erbil, o Papa Francisco deslocou-se em helicóptero para Mosul, para a oração em sufrágio pelas vítimas da guerra. Na pista de aterrissagem, o Santo Padre foi acolhido pelo Arcebispo de Mosul e Aqra dos Caldeus, Dom Najeeb Moussa Michaeel, O.P, pelo governador de Mosul e por duas crianças, que lhe ofereceram flores. Então, seguiu para Hosh al-Bieaa – a praça das 4 igrejas – siro-católica, armênio-ortodoxa, siro-ortodoxa e caldeia, destruídas entre 2004 e 2017 por ataques terroristas e pela guerra – para a cerimônia com a oração pelas vítimas da guerra.

A cidade de Mosul

A cidade de Mosul tem721.096 e é a capital administrativa do Governatorato de Nínive (Ninewah). Localiza-se 465 km a noroeste de Bagdá, na margem ocidental do Rio Tigre, de frente para os resquícios arqueológicos da antiga cidade assíria de Nínive, que remonta a 6.000 a.C.

Por 2500 anos, Mosul representou a identidade plural do Iraque, graças à coexistência, dentro das muralhas da Cidade Velha, de vários grupos étnicos, linguísticos e religiosos. Fundada no século 7 a.C., como parte do Império Assírio, Mosul foi importante centro comercial no período abássida, devido à sua posição estratégica, e alcançou o auge de sua influência no século 12 d.C., sob a dinastia de Zangid, cujo poder e cuja influência são hoje testemunhados por alguns prédios simbólicos, entre as quais a Grande Mesquita Al-Nouri e o famoso minarete inclinado de al-Hadba, com 44 metros de altura, chamado de “corcunda”.

Foi então que em Mosul se estabeleceram as escolas de processamento de metais e pintura, que no século XIII deram lugar a uma florescente indústria artesanal, que continuaram por séculos. Durante os reinados das dinastias Mongol e Turca, bem como no primeiro período otomano, Mosul foi ulteriormente melhorada com a construção de numerosas mesquitas e madrassas, sobretudo em sua parte meridional.

A “cidade dos profetas”, assim chamada devido à presença dos túmulos de cinco profetas muçulmanos, também conhecidos como Um Al-Rabi’ain, “a mãe das duas primaveras”, manteve ao longo do tempo sua arquitetura medieval e seu núcleo original, com edifícios islâmicos, cristãos, otomanos e uma mistura extraordinária de etnias e religiões, até ser ocupada por três anos do autoproclamado Estado Islâmico, entre junho de 2014 e julho de 2017.

Estima-se que cerca de meio milhão de pessoas, das quais mais de 120.000 cristãos, fugiram de Mosul, que em 2004 tinha 1.846.500 habitantes. A cidade passou por uma devastação sistemática, o que resultou na destruição de, entre outras coisas, de numerosas igrejas, do mausoléu de ‛Awn ad-dīn, de Nabī Yūnis (o mausoléu do profeta Jonas) e de uma seção da muralha da antiga cidade de Nínive, bem como de raros manuscritos e mais de 100.000 livros mantidos na Biblioteca, de achados arqueológicos e inúmeras estátuas presentes nas coleções do Museu de Nínive.

Em junho de 2017, o autoproclamado Estado Islâmico, cercado por forças governamentais, e com o controle somente da cidade velha, destruiu a mesquita de Mūr ad-dīn, lugar símbolo do Califado, que, no entanto, foi reconquistado poucos dias depois pelo exército iraquiano, juntamente com uma parte da área medieval da cidade. Em julho 2017, após nove meses de luta, Mosul foi libertada.

Hoje, graças também a cooperação internacional, está se trabalhando para a reconstrução da cidade para permitir o regresso dos refugiados. Em novembro passado, finalmente reabriu ao público o Museu Arqueológico, que abriga o que restou do patrimônio da antiga Nínive, fortemente empobrecido por saques e pela destruição pelo Isis.

Nos últimos meses, a Unesco também deu início às obras de restauração da Mesquita Al-Nuri e duas igrejas na parte antiga da cidade: a igreja dominicana de al-Saa’a, “Nossa Senhora da Hora”, cuja torre do sino, com o relógio, presente da Imperatriz Eugenia, esposa de Napoleão III, representa um dos símbolos da cidade; e a catedral sírio-católica de al-Tahera. A reconstrução dos antigos prédios históricos de Mosul fazem parte de um programa da organização das Nações Unidas pela Educação, Ciência e Cultura, denominado “despertar o espírito de Mosul”, financiado pelos Emirados Árabes Unidos.

Arquieparquia de Mosul dos Caldeus

A Arquieparquia de Mosul dos Caldeus, (rest. Século XVIII como Eparquia particular da Igreja patriarcal de Babilônia dos Caldeus; ereta Eparquia sufragânea da Babilônia dos Caldeus em 24 de outubro de 1960; Arquieparquia em 14 fevereiro de 1967) tem 5.000 católicos; 7 paróquias; 1 igreja; 13 sacerdotes diocesanos (2 ordenados no ano passado); 3 seminaristas nos cursos filosófico e teológico; 1 membro de instituto religioso masculino; 6 membros dos institutos religiosos femininos; 5 institutos educacionais; 7 instituições de beneficência; 31 batismos no ano passado.

O Arquieparca de Mosul dos Caldeus é DomNajeeb Michaeel, O.P., nascido em Zakho, Eparquia de Amadiyah e Zaku, 9 de setembro de 1955; ordenado sacerdote em 16 de maio 1987; eleito em 23 de agosto de 2018; consagrado em 18 de janeiro de 2019.

Arquieparquia de Mosul dos Sírios

Arquieparquia de Mosul dos Sírios, (1790) tem 4.500 católicos; 13 paróquias; 2 igrejas; 22 sacerdotes diocesanos; 26 sacerdotes diocesanos regulares; 6 seminaristas nos cursos filosófico e teológico; 27 membros de institutos religiosos masculinos; 3 membros de institutos religiosos femininos; 2 institutos educacionais; 5 instituições de beneficência; 318 batismos desde 2016.

O arquieparca de Mosul dos Sírios é Dom Yohanna Petros Moshe, nascido em Qaraqosh, Archieparquia de Mosul dos Sírios, em 23 de novembro de 1943; ordenado sacerdote em 9 de junho de 1968; eleito em 26 de junho de 2010; consagrado em 16 de abril.

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