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Via Agência Brasil – texto na íntegra

Com recorde no número de pessoas internadas por covid-19, principalmente em estado grave, e risco de colapso no sistema de saúde, o governo de São Paulo anunciou hoje (11) mais restrições à circulação de pessoas. Cultos e cerimônias religiosas, que estavam liberados como serviços essenciais, serão agora proibidos. Aulas presencias, que também seriam permitidas nessa fase, serão suspensas na rede estadual, cujas escolas ficarão abertas apenas para casos mais emergenciais como alimentação e distribuição de materiais.

A disputa de jogos de futebol e a realização de outros eventos esportivos serão suspensas.

Lojas de material de construção e serviços de retirada nos estabelecimentos (take away) também terão funcionamento proibido. Órgãos públicos e escritórios devem instituir home office (trabalho em casa). Serão permitidos, no entanto, os sistemas drive-thru, em que os serviços são prestados sem que o cliente precise sair do carro, e delivery, quando os produtos são entregues no local indicado pelo comprador. Os drive-thrus, porém, só poderão funcionar no período entre as 5h e as 20h.

Haverá ainda toque de recolher em todo o estado das 20h às 5h. Será proibida também a frequência de parques e de praias.

Outra medida anunciada nesta quinta-feira pelo governo paulista é o escalonamento para uso do transporte público pelos trabalhadores de serviços considerados essenciais. A sugestão é que trabalhadores da indústria usem o transporte público das 5h às 7h da manhã. Os demais trabalhadores em serviços essenciais devem usar o transporte público das 7h às 9h e, os do comércio essencial, no período entre as 9h e as 11h. 

As novas restrições, que valem a partir de segunda-feira (15) e valem até o dia 30, fazem parte de uma nova fase do Plano São Paulo, criada hoje: a fase emergencial. É uma etapa ainda mais restritiva que a Fase 1-Vermelha, em vigor atualmente no estado. A expectativa do Centro de Contingência do Coronavírus de São Paulo é que, com as novas medidas, mais 4 milhões de pessoas sejam adicionadas às restrições já existentes e que a taxa de isolamento supere os 50%.

Em vídeo divulgado pouco antes do início de entrevista nas redes sociais e novamente apresentado na coletiva, o governador João Doria disse saber que as medidas são impopulares, mas ressaltou que precisam ser tomadas neste momento de maior gravidade da pandemia. “Chegamos ao momento mais crítico da pandemia. Mesmo com todos os esforços, estamos chegando ao limite máximo de ocupação [de leitos hospitalares]”, afirmou Doria. “Não é fácil tomar essa decisão, uma decisão impopular, difícil, dura. Nenhum governante gosta de parar atividades econômicas de seu estado, mas só há duas alternativas para controlar o contágio pelo vírus neste momento: a vacina e o distanciamento social.”

Durante a coletiva, realizada no início da tarde de hoje, o governo também apresentou imagens de hospitais do estado com ocupação ultrapassando os 95%. E chamou a população para ajudar a diminuir a circulação do vírus pelo estado. “Saiam somente se for necessário”, alertou o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn.

Desde o último sábado (6), todo o estado estava na Fase 1-Vermelha, em que somente serviços essenciais poderiam funcionar, mas isso não aumentou o isolamento das pessoas da forma esperada pelo governo. Com isso, São Paulo continua batendo recordes no número de mortes e de pessoas internadas em unidades de terapia intensiva (UTI) e de mortes por causa da covid-19.

Hoje o número de pessoas internadas em estado grave somava 9.184 pessoas, novo recorde. Segundo Gorinchteyn, 53 dos 645 municípios paulistas já chegaram a 100% de ocupação de leitos, o que significa que não têm mais condições de atender novos pacientes com covid-19. Há, atualmente, 1.065 pacientes aguardando a vez no Sistema de Regulação do estado, o que significa que estão à espera de atendimento. A ocupação média de leitos de UTI do estado, neste momento, é de 87,6%.

O governo tentou aumentar o número de leitos de UTI de 3,5 mil, antes da pandemia, para 9,2 mil neste momento. Porém, não há médicos suficientes para trabalhar em todos esses leitos e, mesmo com a capacidade ampliada, o sistema se encontra perto do colapso, já que a transmissão do vírus, está elevada. Segundo o governo estadual, a única saída encontrada neste momento, em que a vacinação ocorre de forma ainda lenta, foi aumentar as restrições, para tentar diminuir a circulação do vírus.

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