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Via Agência Reusters – texto na íntegra

O Ministério da Saúde da Índia alertou no domingo que uma grande reunião de devotos para um festival hindu poderia aumentar os casos de coronavírus, já que o país registrou o maior número de novas infecções em quase quatro meses.

O ministério disse que até 40 pessoas testavam positivo para COVID-19 diariamente ao redor do local do Mahakumbh de uma semana, que começou este mês e tem seu pico em abril na cidade sagrada de Haridwar, no Himalaia, próximo ao Ganges.

O festival é realizado apenas uma vez a cada 12 anos. Os organizadores disseram aqui que são esperados mais de 150 milhões de visitantes, já que muitos hindus acreditam que tomar banho no rio durante este período absolve as pessoas dos pecados e traz a salvação do ciclo de vida e morte.

Em uma carta ao governo estadual de Uttarakhand, onde Haridwar está localizado, o ministério disse às autoridades locais que seus testes diários de coronavírus em 55.000 pessoas em Haridwar não eram suficientes, dado o grande número de peregrinos esperado, e que os casos já estavam aumentando.

“Esta taxa de positividade tem o potencial de se transformar rapidamente em um aumento nos casos, dada a grande movimentação esperada durante o Kumbh”, disse o ministério em um comunicado, citando a carta.

“Atualmente, mais de 12 estados na Índia mostraram um aumento nos casos de COVID-19 durante as últimas semanas, e os peregrinos que deveriam visitar Haridwar durante o Kumbh Mela também podem ser desses estados.”

Festival do Jarro, em Haridwar, Índia, 11 de março de 2021.
Fonte: Anushree Fadnavis/Agência Reusters

O governo de Uttarakhand diz que tornou o uso de máscaras obrigatório para os devotos, distribuiria milhões de máscaras gratuitamente e também manteria a higienização de áreas públicas, além de seguir as regras estabelecidas pelo governo federal.

A Índia relatou 43.846 novos casos de coronavírus nas últimas 24 horas, com seu estado mais rico, Maharashtra, novamente respondendo por cerca de 60% das infecções.

As mortes aumentaram em 197, a maior em mais de dois meses, para 159.755, mostraram dados do ministério da saúde.

Os novos casos de COVID-19 na Índia atingiram um pico de quase 100.000 por dia em setembro e vinha caindo continuamente até o final do mês passado.

Mas agora cinco estados – Maharashtra, Punjab, Karnataka, Gujarat e Madhya Pradesh – respondem por quase 78% dos novos casos. Maharashtra, lar da capital financeira da Índia, Mumbai, sozinho relatou 27.126 casos e 92 mortes.

À medida que os casos aumentam, o governo do primeiro-ministro Narendra Modi tem sido criticado por exportar mais vacinas do que o número de pessoas inoculadas em casa até agora.

Sob pressão para aumentar o abastecimento local, o Instituto de Soro da Índia disse ao Brasil, Arábia Saudita e Marrocos que os embarques de novas doses da vacina AstraZeneca para eles seriam adiados.

A Índia até agora doou 8 milhões de doses e vendeu quase 52 milhões de doses para um total de 75 países. Já administrou mais de 44 milhões de doses desde o início de sua campanha de imunização em meados de janeiro.

Reportagem de Aftab Ahmed e Krishna N. Das; Edição de Kim Coghill

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