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Via Agência Sergipe de Notícias – texto na íntegra

Mesmo fechado para o público em razão das restrições impostas pela pandemia da Covid-19, o Zoológico de Aracaju prossegue tendo papel fundamental na preservação da fauna e dos cuidados com os animais silvestres que habitam a última reserva de Mata Atlântica da capital, cujas ações vão desde a alimentação, exames, vermifugação e procedimentos veterinários quando necessários.

Administrado pelo Governo de Sergipe, por meio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento e Sustentabilidade (Sedurbs) e a Administração Estadual do Meio Ambiente (Adema), o espaço de lazer ocupa uma grande área do Parque Governador José Rollemberg Leite (Parque da Cidade), localizado no bairro Industrial, Zona Norte de Aracaju, e abriga cerca de 400 animais, entre eles, diversos tipos de aves, felinos, mamíferos, quelônios e répteis.

O tratamento dado aos habitantes do zoo começa por volta das 10h da manhã, quando os dois tratadores iniciam a alimentação, normalmente na pequena ilha do lago onde reside uma família de macacos pregos. Em seguida, prosseguem com os trabalhos alimentando os gansos e marrecos que habitam o lago, e, posteriormente vão alimentar os demais animais que vivem em abrigos específicos de acordo com a sua espécie (viveiros, jaulas, entre outros). Seguindo os hábitos de algumas espécies que habitam o zoológico, algumas aves são alimentadas duas vezes ao dia, os felinos  durante à noite e os ofídios a cada 15 dias.

Alimentação balanceada

Segundo o médico veterinário do zoológico, Hildelbrando Vieira Filho, os cuidados com a alimentação dos bichos é minucioso. “Os alimentos chegam às terças e sextas-feiras. A partir das 7h, três profissionais da cozinha iniciam a preparação das refeições, sendo que o cardápio é preparado por nutricionista, nutrólogo e zootecnista. A dieta é composta por frutas, sementes, vegetais, raízes e carnes para cada uma das espécies, é balanceada, pesada e servida de acordo com a necessidade de cada um deles”, detalha.

O profissional explica que, da mesma forma como acontece com os humanos, faz-se necessário variar os alimentos servidos. “Os profissionais elaboraram um cardápio para que os animais não fiquem enjoados de comer diariamente a mesma coisa. Assim, a tabela das refeições é diversificada de acordo com o tipo de alimento consumido por cada uma das espécies, mas com cautela e sem alterações bruscas, a fim de que o organismo deles não estranhem a mudança”, frisa.

Hildebrando Vieira esclarece que os cuidados contínuos com o habitat e os animais não se limitam a alimentação. “Além da limpeza na área verde, uma equipe de profissionais capinam, executam serviços de poda nos arbustos e árvores e limpam os abrigos dos bichos. Às terças e sextas-feiras, a partir das 7h30 da manhã eu inicio a visita clínica a cada um dos  abrigos. Havendo  intecorrência com algum deles, realizo o procedimento necessário, e, sendo algo mais grave, faço o encaminhamento para o Quarentenário, que é um espaço de recuperação para os animais que apresentam algum problema de saúde”, ressalta.

Os queridinhos dos animais   

Há 30 anos trabalhando no zoológico, José Batista de Souza, popularmente conhecido como Zé, desenvolvia suas atividades como roçador. Certa vez teve de substituir por alguns dias um tratador dos animais, gostou das atividades e permanece na função dos últimos 25 anos até o momento, sendo reconhecido por diversos animais do espaço que se animam quando ele entra nos abrigos, inclusive o do habitante mais famoso do lugar, o leão Léo (Panthera Leo), que mantém com ele uma relação diferenciada. “Trabalho oito diárias no zoológico e gosto demais daqui, não me vejo em outro lugar ou fazendo um serviço diferente. Nos meus dias de folga sinto muita falta e a vontade é de estar aqui cuidando deles”, revela.

Bastante familiarizado com os animais, Hildebrando Vieira é outro que mantém um relacionamento mais próximo com alguns dos bichos, sendo que alguns deles o atendem e se aproximam quando ouvem o codinome dado pelo médico-veterinário. “Além de ser um paraíso verde dentro de Aracaju, aqui é um local maravilhoso para trabalhar pelo contato direto que temos com a natureza. Mesmo estando em abrigos, alguma espécies, como araras, papagaios, o urubu-rei, o quati e o guaxinim possuem um laço afetivo diferenciado para comigo, o que me enobrece e me deixa ainda mais feliz em trabalhar aqui”, enfatiza.

Além de ser um importante ponto turístico da capital, o Governo do Estado reforça que o  zoológico e o Parque da Cidade são locais não apenas destinados à visitação e lazer, mas também de estudos, pesquisas e um grande instrumento de estimulo à conscientização e respeito à fauna e a natureza de um modo geral, por isso, investe na manutenção e preservação do espaço, tendo como últimas intervenções, a revitalização dos abrigos dos animais e a construção do Centro de Tratamento de Animais Silvestres (Cetas), local específico para o cuidado dos animais que são apreendidos, resgatados ou que são entregues voluntariamente à Adema.

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