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Há quem pense apenas no famoso abrigo para idosos ao ouvir o nome “vicentinos”. Ledo engano! Em seu centenário de fundação na cidade de Tobias Barreto, a Sociedade de São Vicente de Paulo está intrinsecamente ligada à história do município.

A SSVP – Sociedade de São Vicente de Paulo (e não Paula, como muitos falam e escrevem) – é uma instituição de leigos ligada à Igreja Católica Apostólica Romana. Sua fundação ocorreu em 1833, em Paris, na França, quando 7 acadêmicos, liderados e inspirados pelo jovem Antônio Frederico Ozanam, escolhem, como espelho das ações e patrono da organização, São Vicente de Paulo, o Padroeiro da Caridade. Hoje, a instituição está presente em mais de 157 países, incluindo o Brasil.

Sua estrutura organizacional segue, além de um robusto conjunto de normas contidas no livro de regras, uma hierarquia bastante consolidada. Na base, sendo o pedestal da entidade, estão as Conferências Vicentinas, unidades sem personalidade jurídica formadas por grupos de leigos, os confrades (homens) e consocias (mulheres), que se reúnem periodicamente (semanal, quinzenal ou mensalmente) com o intuito de debater problemas sociais e levar soluções para famílias cadastradas. Cada Conferência pertence a um Conselho Particular (ou Distrital), que pertence a um Conselho Central, que pertence a outro Conselho, chamado de Metropolitano, que se vincula ao Conselho Nacional do Brasil, com sede no Rio de Janeiro. Este último integra, finalmente, o Conselho Internacional (ou Geral), cuja sede fica na França

A entidade chega ao Brasil em 1872. Por conta dos grandes problemas sociais encontrados no país, os vicentinos fundaram as Obras Unidas e Obras Especiais, que são hospitais, creches, orfanatos, casas de repouso, vilas, etc. Atualmente, mais de 600 Obras Unidas estão espalhadas no território nacional, todas vinculadas a um Conselho Central.

Em 05 de junho de 1921, era fundada a Conferência Nossa Senhora Imperatriz dos Campos, a primeira em terras tobienses. Estava plantada a semente da SSVP na Capital dos Bordados. De lá para cá, os trabalhos nunca cessaram. Foi a SSVP quem fundou, entre 1943 e 1950, o Hospital São Vicente de Paulo, que funcionava onde, na atualidade, estão a casa e o centro de treinamento das Irmãs de Santa Maria de Namur. Hoje, de propriedade do Governo do Estado, a UPA ainda carrega, no nome, os traços de sua origem.

No fim da década de 70 e início de 80, os vicentinos almejavam criar um abrigo para acolher pessoas em vulnerabilidade. Abelardo Barreto do Rosário, tobiense que residia no Rio de Janeiro e que conheceu os trabalhos da SSVP naquele lugar, empreendeu em custear a construção do abrigo. O terreno foi doado pelo então político Luiz Alves Filho, conhecido popularmente como Luizinho, e a construção ficou por conta da J.J. Almeida, de propriedade do ex-prefeito Diógenes Almeida.

No sábado, 15 de Agosto de 1981, às 16h00min, durante as homenagens à Padroeira da cidade de Tobias Barreto, Nossa Senhora Imperatriz dos Campos, era entregue à comunidade e aos cuidados dos vicentinos, o Abrigo Vicentino Mariquinha Barreto, cujo nome faz alusão à genitora de Abelardo Barreto do Rosário, que custeou toda a construção. A instituição está localizada na Avenida Gov. Antônio Carlos Valadares, 1.300, no bairro Santa Rita. O Abrigo, que tornou-se ILPI (Instituição de Longa Permanência para Idosos), passou por inúmeras reformas e adequações. Está prestes a iniciar outra grande reforma com valores oriundos de emendas parlamentares propostas pelo então deputado Adilson de Jesus Santos.

Além do já citado Abelardo Barreto, o mesmo que dou a sua casa para fazer a única biblioteca pública e cujo nome está estampado no primeiro colégio público de Ensino Médio da cidade, inumeráveis expoentes tobienses fizeram e ainda fazem parte da SSVP. Filadelfo Santos Lima, Josué Montalvão, Atanagildo Neves, João Antônio César (que dá nome à escola), José Rufino, Teodoro Simplício, Joviniano José dos Santos, Antônio Borba, todos falecidos, foram os primeiros a experimentar o carisma do movimento religioso. Mais recentemente, Francisco de Assis, Seu Cici, como era popularmente conhecido, e seu irmão, Pedro, o sacristão, primeiro e segundo presidentes do abrigo, respectivamente. Maria Dária (Dona Gringa), João Amado, que muito se dedicou aos produtores rurais, e Adriano (Seu Didi), falecido no ano passado, prestaram grande assistência aos mais necessitados.

A lista continua: Antônio Brejeiro (Seu Brejeiro), ex-prefeito, Dona Nanzinha Almeida e o Monsenhor José de Souza, o Padre Souza, grande entusiasta da SSVP. Efigênia Meireles e seu irmão, Pedro Meireles (Popô da oficina), José Reis Araújo, atual Presidente do Conselho Particular de Tobias Barreto (CPTB), fundado em 27 de setembro de 1992, e sua esposa, Almira; o escritor e um dos fundadores da Academia Tobiense de Letras e Arte, cuja primeira sede foi na Sociedade, Antônio (pseudônimo Vírman); Josefa Freire, atual presidenta da Casa de Repouso; Josefa Maria (Dona Tetê) e seu esposo, Antônio; José Domingos (Zé Domingos, esposo de Gringa) um dos primeiros tesoureiros do abrigo, o comunicador Matias Santos, Agnaldo Ramos (Agnaldo do Pandeiro) e José Sousa Faria (o Zé Miúdo), dentre outros, estão na ativa.

A direção de algumas instituições, embora não vinculadas ao movimento, foram confiadas à vicentinos. É o caso do cemitério Nossa Senhora do Amparo, cuja posse e administração pertencem à Paróquia de Nossa Senhora Imperatriz dos Campos, que foi, por anos, dirigido pelo vicentino José Raimundo, Seu Nal Fotógrafo. Dos 41 anos de existência do Grupo Tobias Barreto de Alcóolicos Anônimos (AA), 40 deles a instituição esteve e está instalada na Sede do Conselho Particular de Tobias Barreto da SSVP, na Avenida João Alves Filho, 706. Lá, certamente, você vai encontrar o mais veterano partícipe e dono de uma linda história de vida, o vicentino José Francisco, ou, se preferir, Zé Mago da oficina, com quase quatro décadas de pura dedicação ao AA.

“A boa semente lançada em terreno fértil dá bons frutos, assim como a Sociedade de São Vicente de Paulo em Tobias Barreto”, são palavras do atual presidente do CPTB, José Reis Araújo, de 77 anos, que conta, entre muitas outras histórias, seu encontro pessoal com a Santa Dulce dos Pobres, quando esta, ainda em vida, residia em Salvador.

Além das milhares de cestas básicas distribuídas, das construções e reformas de casas, das visitas aos enfermos e encarcerados, da construção da Vila Maria Zenaide, da doação do terreno para construção da capela da Mãe Rainha, dos muitos móveis e utensílios doados, das festas juninas e natalinas realizadas no abrigo, o principal propósito das atuais onze Conferências, inclusive uma de crianças e adolescentes, que constituem o CPTB é fazer com que as pessoas saiam de suas pobrezas, quer sejam materiais, espirituais, sociais ou relacionais. Para isto, conta com colaboração de benfeitores que contribuem de várias formas. Assim, os vicentinos doam seu tempo, seus ouvidos e sua atenção para evangelizar, e serem evangelizados, pela ação e oração, construindo uma sociedade mais justa, igualitária e humana.

“Ninguém tem tanto que nada falte ou tão pouco que não tenha um pouquinho para doar”, como dizia São Vicente de Paulo. Para comemorar os cem anos, haverá a celebração de Missa às 18h00min do sábado, 05 de junho, na Matriz de Nossa Senhora Imperatriz dos Campos.

Viva a SSVP!

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