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A equipe Resistência Azul, formada por estudantes do Instituto Federal de Sergipe (IFS), Campus Aracaju, alcançou o 1º lugar na categoria “Trilha Ambiental” da Maratona de Inovação da 2ª Feira Brasileira de Jovens Cientistas (FBJC). Os estudantes dos cursos técnicos integrados: Pablo Ravel (Eletrotécnica), Sabrina Moura (Informática) e Giulia Mobley (Edificações) compõem o grupo vencedor, que ainda conta em sua formação com mais quatro alunos de outros estados do país.

A pesquisa desenvolvida e campeã da maratona consiste na elaboração de um método de quantificação de coliformes totais e fecais para compor o kit de análise do Projeto “Observando os Rios”, da Organização não Governamental (ONG) SOS Mata Atlântica, que visa o monitoramento da qualidade da água de rios, mananciais e bacias nos estados que envolvem a Mata Atlântica. Assim, a equipe teve cerca de duas semanas para desenvolver os trabalhos, a partir dos desafios lançados pela FBJC.

Para essa quantificação, o grupo desenvolveu a ferramenta Brasmobil, uma espécie de estufa móvel que torna possível a medição da qualidade da água em locais remotos, não havendo a necessidade de um laboratório para funcionar, o que adapta métodos já existentes, como o Colilert 18 (teste rápido para análise da água). “Desse modo, a ferramenta oferece maior praticidade sem perder a precisão na quantificação. Além disso, permite a abstenção de equipamentos laboratoriais e materiais de alto custo, facilitando sua acessibilidade”, explica uma das integrantes da pesquisa, Sabrina Moura.

Pablo Ravel, estudante do 2º ano do curso técnico de Eletrotécnica, acrescenta que atualmente a análise é feita em laboratórios, mas por visarem a democratização das informações acerca da qualidade da água, já que esta análise pode ser feita em qualquer local, o grupo desenvolveu a Brasmobil, que além de sua praticidade no manuseio, é portátil. “O uso da Brasmobil apoia pesquisas científicas em locais de difícil acesso ao laboratório e de forma segura, auxiliando outros projetos também desenvolvidos no período de pandemia”, diz.

A ferramenta desenvolvida é feita totalmente de plástico reciclado capaz de esquentar a 35° C uma cultura de bactérias. Seu sistema elétrico é composto por uma placa de iluminação LED de 20 watts e 127 volts ligado a um termostato (instrumento que detecta temperaturas e suas variações) e a um interruptor, duas placas de luz Ultravioleta e um interruptor. Sua funcionalidade se dará por pilhas, dispensando a necessidade de uma rede elétrica.

Apoio de peso

Sabrina, Giulia e Pablo são bolsistas do Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica do Ensino Médio (Pibic em CNPQ), em um projeto ministrado pelas professoras do Campus Aracaju, Adeline Carneiro e Iara Bichara: “Quem quer ser um cientista?”, que tem como intuito conhecer as percepções de jovens residentes em Aracaju-SE acerca da relevância das carreiras cientificas e tecnológicas, a partir da realização de divulgação científica através de redes sociais.

A pesquisa já foi submetida em eventos como a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) do IFS e na Feira Estadual de Ciências, Tecnologia e Artes de Sergipe (Cienart). “A partir da análise dos resultados do projeto, estamos escrevendo um livro no qual cada capítulo é de autoria de uma equipe de jovens pesquisadores. Estamos aguardando apenas a finalização das autorizações de uso de imagem pelos cientistas brasileiros que tiveram seus trabalhos divulgados através do projeto”, conta Adeline.

Foto: Reprodução/IFS

Ela e a professora Iara, aliás, foram as principais incentivadoras para que os estudantes vencedores da maratona participassem do evento. Mesmo sem necessitar de um orientador para o desenvolvimento do projeto, elas deram esse “empurrãozinho”. “É fundamental incentivarmos a participação dos estudantes em atividades de pesquisa científica, considerando sua importância para a sociedade, bem como enquanto estratégia de enfrentamento ao analfabetismo científico. Sempre incentivo porque esta é uma oportunidade de eles terem contato com jovens que fazem pesquisa em todo o país. Foi um trabalho genuinamente de protagonismo juvenil, através deste produto inovador e de sua campanha de divulgação”, ressalta Adeline.

Sabrina lembra que a ideia de submeter a pesquisa parte do objetivo de criar experiência. “As professoras e orientadoras do nosso projeto de pesquisa Adeline e Iara sempre buscam nos incluir em meios científicos, a fim de que o real intuito do nosso projeto seja cumprido, que é o de divulgação científica, como também para que tenhamos experiências em eventos desta natureza”.

A Maratona de Inovação, promovida pela FBJC, dá a chance aos milhares de jovens participantes de conhecerem estudantes de outras partes do país. E assim foi com a equipe Resistência Azul. Além dos discentes do IFS, o grupo teve a participação de alunos e alunas de alguns estados brasileiros, como: Igor Guissani (MS), Fernanda Sena (RJ), Letícia Tavares (DF) e Gabriella Pereira (SP).

“Este contato com pessoas de diferentes partes do país foi essencial para o desenvolvimento da pesquisa, pois foi a partir das diferentes vivências e pontos de vista que conseguimos montar uma ferramente que abrange todos os públicos. Outro ponto é que cada um tinha o seu ponto forte em um tipo de conhecimento, o que ajudou bastante na elaboração de toda pesquisa, tanto no design do panfleto de passo a passo, quanto na construção da parte elétrica da Brasmobil”, explica Pablo.

Os estudantes do IFS conheceram seus colegas de equipe através de uma ferramenta de chat disponibilizada pela própria Maratona. “Conversamos e decidimos formar a equipe. Nesse tempo, tivemos uma reunião online de integração para que nos conhecêssemos melhor e incontáveis reuniões no Google Meet para o desenvolvimento da pesquisa”, lembra Pablo.

Na Maratona há três categorias para submissão dos trabalhos: Trilha Ambiental, Trilha Social e Trilha da Educação. O projeto foi avaliado por uma banca e a pontuação final foi obtida através da média aritmética das notas. “Não esperávamos pelo primeiro lugar! Nós nos esforçamos bastante, mas independente do resultado, ficaríamos felizes, afinal foi uma grande experiência para cada um. Ficamos surpresos e muito felizes com a nossa colocação, eu pulei de tanta felicidade! Valeu a pena cada esforço!, comemora Sabrina.

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