Compartilhe:

Aos 29 anos, Gabryele é a primeira brasileira preta a ganhar o prêmio

Portal UFS – Josafá Neto – Rádio UFS/ texto na íntegra

Mulher preta, nascida na periferia, Física Médica na Universidade Federal de Sergipe (UFS) e mestranda em Tecnologia Nuclear na Universidade de São Paulo (USP). É assim que a estudante Ana Gabryele Moreira resume as suas trajetórias pessoal e profissional até conquistar o Prêmio Marie Curie da Agência Internacional de Energia Atômica (IAEA). O resultado da premiação foi divulgado no último dia 5 pela agência nuclear ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).

Aos 29 anos, Gabryele é a primeira brasileira preta a ganhar o prêmio. A conquista viabilizou uma bolsa no valor de até 40 mil euros para estudar fora do país a partir do próximo ano, a fim de aprofundar a pesquisa científica sobre a participação de mulheres no campo nuclear.

Trajetória acadêmica

O interesse pela área surgiu após ela realizar um curso técnico em radiologia. Mais tarde, em 2013, Gabryele ingressou no ensino superior, por meio do sistema de cotas étnico-raciais, ao ser aprovada no curso de Física Médica da UFS. Após concluir a graduação em 2018, foi selecionada no mestrado no Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares da USP (IPEN).

“Vivi de políticas públicas, para entrar e permanecer na Universidade. Tive assistência estudantil que garantiu que finalizasse a graduação. Fui bolsista de apoio pedagógico. Fiz iniciação científica. Fui bolsista voluntária. Fiz umas quatro iniciações. Isso foi um ponto muito importante para o meu currículo, construir uma trajetória na área nuclear,” afirma.

No Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), a estudante analisou a produção e a caracterização de absorvedores com base em ceras naturais para uso em radioterapia, sob orientação da professora Divanízia do Nascimento Souza do Departamento de Física.

“O curso da UFS é um dos melhores do país. Foi na graduação que me interessei em trabalhar com instrumentação nuclear e dosimetria, que é muito utilizada por quem trabalha com exposição de radiação, já que minhas pesquisas são voltadas para área médica,” conta.

Estudante despertou interesse pela área de tecnologia nuclear a partir da graduação na UFS

Pesquisa científica

O foco da pesquisa de mestrado de Gabryele é desenvolver um sistema de detecção sensível à posição para radiação gama utilizando cintilador plástico, tendo como orientador o professor Frederico Antonio Genezini. No entanto, com a bolsa no exterior, ela pretende aprofundar outra linha de investigação sobre o perfil sociocultural dos pesquisadores da área nuclear.

“Desenvolvemos uma pesquisa sobre o perfil das mulheres no IPEN para entender e identificar questões de cor, idade, naturalidade, postos de trabalho, quais as áreas que elas estão mais voltadas, as linhas de pesquisa delas, se são mais orientadas por homens ou por mulheres. Então, nesse momento, conseguimos obter várias informações importantes,” explica.

O trabalho foi publicado recentemente na Conferência Internacional Nuclear do Atlântico (INAC). Os resultados apontaram que apenas 10% das mulheres entrevistadas eram negras. Nenhuma se declarou indígena. Além disso, a maioria das mulheres também eram por orientadas por homens. Segundo ela, o questionário foi respondido de forma voluntária.

Prêmio Marie Curie

Criado em homenagem à física Marie Sklodowska-Curie – primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel – o programa visa inspirar jovens mulheres a seguirem carreira na área nuclear, por meio da ofertas de bolsas.

As estudantes selecionadas vão receber bolsas para programas de mestrado em estudos relacionados à área nuclear em universidades credenciadas. O programa seleciona até 100 alunas por ano, considerando as diversidades geográfica e linguística.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *